sábado, dezembro 24, 2011

Conta-me estórias 011 (4)

2012 Retoma
011 da ida e da volta

ABRIL:

"No dejes que" - Caifanes


sexta-feira, dezembro 23, 2011

Conta-me estórias 011 (3)

2012 ventre liso
011 a galope

MARÇO:

"Trails" - Asobi Seksu




quinta-feira, dezembro 22, 2011

Conta-me estórias: 011 (2)

2012 ilusão óptica
011 planante

FEVEREIRO:

"Last Night At The Jetty" - Panda Bear



Conta-me as estórias: 011

2012 da alucinação maia...
11 da eterna crise.

A colheita em jeito mensal:

Janeiro:

"Walk with Me" - Neil Young:



terça-feira, novembro 29, 2011

BorderLine... Still be Mine?!



Ao aparecer
nada parece ser
o que outrora foi.

Fogo fátuo
espiral em ruína
Pedra cravada,
sangue em ti.

quarta-feira, novembro 09, 2011

Pandora's Box

A exigência do tempo sufoca-me os sentidos.
Pele branca, outrora rubra,
Sede de ser, de acontecer
Viver, tornar
contornar e retornar.
Enfim... chegar...
A Caixa de Pandora...
Fechar...

sábado, setembro 17, 2011

"THE ROBBER" - PONTO DE FUGA


Esperava de “O Assaltante”, - o filme do alemão Benjamin Heisenberg, apresentado no IndieLisboa 2010, - a mediania apavorante que assola a maior parte da produção cinematográfica actual. Na verdade os tiques perniciosos de Hollywood também já vão passando para as produções europeias e asiáticas (e sim, refiro-me também às de cariz dito independente) – excluo o fenómeno Bollywood por razões culturais e sociológicas específicas que praticamente desconheço.
No entanto, “O Assaltante” está nos antípodas do que poderia ser esta mesma história contada por “Hollywood”.
Baseado em factos reais, o filme conta a história de um ex-presidiário com duas paixões distintas, mas complementares naquilo a que poderemos chamar como dinâmica narrativa do filme: atletismo e cleptomania (na versão bank robbery) – e/ou vice-versa. A corrida em primeiro lugar como atributo de liberdade, mas também como força de bloqueio a essa mesma liberdade. A curiosidade maior reside no facto de que, para Johann Rettenberger (o protagonista), o caminho para a liberdade desagua no desafio da fuga, no instinto primitivo de sobrevivência per si. A ambiguidade nasce da relação de interdependência entre as suas duas paixões (aparentemente) antagónicas.
No início, Rettenberger corre em círculos no pátio da prisão onde cumpre pena por assalto à mão armada. É nesse movimento circular infinito que tomamos conhecimento da sua vida em 90 minutos, sem artifícios, sem jogos de cintura, carros e edifícios a explodir ou efeitos especiais em catadupa. O filme é dele, da sua rotina, da sua espiral. A diferença entre Rettenberger e os funcionários dos bancos que este assalta reside apenas na relação básica de oposição entre ele próprio, que rouba e os outros, que são roubados, mas também no facto de que apenas o primeiro busca algo mais que essa redoma onde parece condenado a correr eternamente. No demais todos são idênticos na prisão da rotina que os endurece e que é também complemento narrativo, frio, formal, mas dinâmico e até romântico.
O que é assustadoramente bem conseguido no filme é o esbater de uma diferença aparentemente abismal entre aquilo que consideramos ser social e moralmente o bem e o mal.
Heisenberg é exímio na forma fria, cerebral e calculista de contar a história simples de um homem que luta como animal feroz em defesa da sua causa, provavelmente consciente de que o destino que lhe está traçado é bem diferente das corridas que vai ganhando e das metas que vai cortando. Poderei exagerar ao dizer que a grande vitória de Rettenberger acontece na sequência final; a fuga interminável que finalmente lhe dá a liberdade que almeja.
“O Assaltante” é mais do que um filme baseado em factos reais. É uma maratona em espiral e em tempo real que transpira suor por todos os poros.
Num farol, depois de subirmos a escada em caracol ficamos “perto” do céu, entre terra e mar. O mesmo acontece com Rettemberger depois de terminada a sua corrida. Talvez seja aí que termina a fuga e começa a liberdade.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Refugeee



Vagas sem Som
Torrente Vazia
Inerte,
Território.
Escuras Memórias
Ingrato Pesadelo

quarta-feira, setembro 07, 2011

Polpa (En)Coura(çada)


Existem momentos atemporais. Fragmentos, pedaços de vida que vagueiam pelo cosmos, escondidos.

Em 1994 os Pulp lançaram His n’ Hers, quarto capítulo de uma história apagada durante os anos 80. Em plena euforia do brit-pop e longe das querelas entre Oasis e Blur, que os meios de comunicação fizeram questão de empolar, os Pulp (e especialmente Jarvis Cocker) viram finalmente chegar a centelha do sucesso com temas como Babies, Razzmatazz ou Do You Remember the First Time, eivadas de trivialidades e sarcasmo nas letras de Jarvis. Puberdade, adolescência ou se preferirem, coming of age, se de um filme se tratasse. Existem também vidas comuns, banais, histórias aguçadas, adocicadas pelas palavras do crooner.

A história repetiu-se com distinção nos capítulos seguintes, ainda que com a introdução lírica de novas referências sociais. Different Class, This is Hardcore e We Love Life (o suposto canto do cisne) demonstraram que os Pulp não queriam facilitar e, talvez por isso, decidiram abrandar e estacionar por tempo indeterminado. Jarvis ainda se empolgou e lançou dois discos em nome próprio.

Em 2010 o anúncio de uma reunião. A surpresa deu lugar à previsibilidade e, ao olharmos para trás, percebemos que a última década foi profícua em desavenças e benquerenças similares, quase sempre debaixo do manto do cifrão. Vide Jane’s Addiction, Pixies, Smashing Pumpkins ou Jesus and Mary Chain.

Os Pulp de Paredes de Coura não me desiludiram mas estiveram longe de me surpreender. O que mais me desapontou no concerto dos Pulp em Coura não foi tanto o alinhamento escolhido – com uma quantidade aprazível de temas de His n’ Hers - ou a prestação (competente) do grupo, mas sim a percepção de que todo o concerto foi um esboço de metade de uma carreira, cuidado atempadamente com o objectivo muito simples de apenas agradar e não surpreender o público que assistiu ao seu espectáculo.

A garra de Jarvis mantém-se, o grupo mostrou-se coeso, o som passou de sofrível ao início até ao aceitável no final, mas o best of que nos apresentaram não me convenceu. Cerebrais e racionais são adjectivos que cabem no dicionário dos Pulp versão 2010/2011. E a verdade é que esta colheita dos Pulp é uma espécie de condutor passivo, que prefere conduzir a 90 km/h numa auto-estrada, mesmo sabendo que pode acelerar até aos 120 km/h, preferindo não fazê-lo, temendo que ao arriscar possa chegar aos 125 km/h e com isso apanhar uma pesada multa.

Admito com humildade: é difícil desfazer o mito de um adolescente de 16 anos. Ainda não foi desta, mas da próxima vez quero ouvir Help the Aged, Bob Lind, the Trees, Weeds, the Fear, Have you seen her lately e My Lighthouse.

Alinhamento de Paredes de Coura:

1. Do You Remember the First Time?

2. Pink Glove

3. O.U. (Gone, Gone)

4. Razzmatazz

5. Acrylic Afternoons

6. Pencil Skirt

7. Something Changed

8. Disco 2000

9. Sorted For E's & Wizz

10. F.E.E.L.I.N.G.C.A.L.L.E.D.L.O.V.E.

11. Babies

12. Mis-Shapes

13. This Is Hardcore

14. Sunrise

15. Bar Italia

16. Common People

quinta-feira, maio 05, 2011

Prefácio Azteca

Seis horas depois... São o engano do tempo ou o tempo enganado.

O Tejo desaguou lá atrás enquanto percorro a infindável meseta. Escuro. Ao longe suaves pinceladas de luz numa paisagem monocórdica. Cá dentro apenas o tossicar de um petiz atrevido rompe o silêncio soberano e tiranamente instalado. Mais à frente, a urbe; D. Quixote.

Sigo inquieto. Este sossego inquieta-me. O turbilhão há-de trazer-me a quietude. É virtude ibérica.

Há uma luz verde, intermitente, inconstante. Há horas que me persegue. Talvez me queira guardar, ou simplesmente guiar-me os pensamentos cansados.

Ao fim de oito horas já somos uma família; solene, sem palavras.

Não posso falar... Escrevo... Conforta-me.

Agora que posso, não escrevo. Vicissitudes de uma escala global.

Vejo e não oiço, sento-me e não sinto.




Ab. 18. 11

segunda-feira, abril 18, 2011

Net Works



Podemos sair da teia sem nela cairmos?
Não caímos, somos apanhados,
enredados, enrolados...
Viabilizo o plano
Se o orçamento deixar
proponho à corte o corte
de tanta vetusta astúcia.



sábado, abril 16, 2011

TAMBORO TRANSBORDA

A vontade de escrever, de transmitir opiniões e sensações tinha-se esvanecido há algum tempo.

Tamboro resgatou-me dessa preguiça mental alojada e pronta a criar raízes intransponíveis, como se a minha alma tivesse sido sugada para um buraco negro pejado de espirais amorfas.

O realizador brasileiro Sergio Bernardes criou um poema visual universal transbordante que não uniformiza o problema ambiental à realidade brasileira, antes servindo-se dela para criar a metáfora da realidade global que o próprio título da película clarifica objectivamente - Tamboro - para todos sem excepção.

Estilisticamente Tamboro segue a linha de Baraka e da obra-prima Koyaanisqatsi, como o provam os longos travellings aéreos sobre paisagens rurais e urbanas de um Brasil multifacetado. O contraste e o confronto latente e desigual entre Natureza - Homem / Máquina são sinais presentes ao longo de todo o filme.
O discurso dos intervenientes não é facilitista nem moralista, regra tão cara aos os pseudo ambientalistas da actualidade que teimam em apregoar as suas verdades absolutas, quase sempre sem conhecimento de causa.

Saliento: é um registo confuso a espaços, mas mágico na sua totalidade. Os mil e um "Brasis" filmados por Bernardes são diversos mundos implantados num mundo só(lido).

Recordei Almada: 1+1=1. Tamboro faz crer que a soma de unidades infinitas e distintas entre si são também uma única e exclusiva unidade em ebulição permanente. E é em ebulição que Tamboro se desenrola ao longo dos seus 100 minutos, com cenas devedoras do realismo mágico tão caro aos latino-americanos, mas também com uma clareza e sobriedade dilacerantes.

É documentário, é ficção, documentário ficcional, ode, tragédia grega, côr. São Mundos no Mundo.

É Tamboro - para todos sem excepção.

sábado, abril 09, 2011

POE // TRY


O Lamento é o grito de guerra dos impotentes, a arma falaciosa dos infelizes e o castelo de penas das almas perdidas.

terça-feira, março 15, 2011

Who Knows?


Rest
Em Paz
Com o
Que te
Apraz
Serra
D'Ávila
Cume de estrelas
Sonhadas

terça-feira, março 01, 2011

Dans l' Universe


O insulto impera
No império perdido
Da gulosa mão fria
Calculista,

São contos
Em pranto
Feras soltas
Pedras,
Ensanguentadas
Ardente agonia

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Dois Mil e 10 de Revés

Eis que o diabo esfrega um olho e os rebuçados voltam a colorir-se para a despedida da década que nos trouxe torres em ebulição, achaques afegãos, Saddam pela corda, Nova Orleães em estado de sítio, tsunamis irrequietos (porque já nos achamos no direito de culpar o inculpável). A década ainda tem o desplante de se despedir em crise agudizante. Agudizai, digo eu enquanto 2011 põe os olhos no horizonte. Olhos de lobo faminto. Talvez...
2010 esvai-se em tom solene. Com ele leva-me algumas canções, umas de pleno direito, outras saqueadas a anos de maioridade.
Round and Round - Ariel Pink's Haunted Graffiti (2010)
On Melancholy Hill - Gorillaz (2010)
Cinema Star - Black Francis (2010)
Juveniles - The Walkmen (2010)
Boring Fountain - Someone Still Loves You Boris Yeltsin (2008)
Kiss your Lips - Allo Darlin (2010)
I'm not Living in the Real World - Belle and Sebastian (2010)
When I'm With You - Best Coast (2010)
White Magic - Ceo (2010)
Hey, Snow White - Destroyer (2002)
With a Girl Like You - David Sitek (2009)
Novias - El Guincho (2010)
In Excelsis - Killing Joke (2010)
Freeway - Kurt Vile (2008)
I Wanna Destroy You - The Soft Boys (1980)
Sometimes I Don't Need to Believe in Anything - Teenage Fanclub (2010)
Evol - Black Rebel Motorcycle Club (2010)
At the Indie Disco - The Divine Comedy (2010)
Best Friend - The Drums (2010)
UFO - Torche (2010)
I Was Wrong - The Morning Benders (2008)
Diplomat's Son - Vampire Weekend (2010)


sexta-feira, outubro 01, 2010

O fim do começo ou outra coisa qualquer

O caminho é apertado
Crescem espinhos, soluços engavetados.
Soslaios de sorrisos,
Tímidos, como o amanhã que não chega,
Como as letras que brotam em espasmos viscerais
e o sémen que escorre quente no teu ventre.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Mi visión de Portugal

Podría decir que he estado a punto de ir dos veces, pero es una mentira. La primera opté por recorrer Italia para practicar una lengua que día a día me gusta más; la segunda cambié el boleto de avión por unas gafas de sol (decidí dejar a un lado mis miradas exorbitantes y a medio párpado, es decir, me operé). Así que aseverar que he estado por ir es una mentira, sin embargo he recorrido un par de veces Alfama, me he quedado horas parado frente al Tejo, contemplando su cauce, me he perdido en la voz de Teresa (Salgueiro, que otra podría ser) Amalia o Mísia y junto con ellas he visto bares, iglesias, calles, puertos, tristezas o mejor dicho saudades. He visto en las letras de Saramago y de José Prata las partes sórdidas de este país que de un modo u otro me atrae, me fascina. Portugal es algo así como mi amor platónico, ese que intercambia miradas, gestos y sin embargo hay algo entre nosotros, más allá del mar y las horas de viaje que nos impide vernos, acariciarnos. He soñado sus calles (Wenders me ayudó un poco en esto, lo confieso) y las he transitado montado en un tranvía, añorando ver el café que a diario visitaba Pessoa...todas son imágenes vanas, lugares comunes, portadas de revista o vídeos de youtube, pero a veces mis oídos perciben el aleteo de las gaviotas, mis labios saborean el oporto y mi olfato se llena de un olor de frutas maduras...sé que tarde o temprano estaré ahí, para desmentir o potenciar esta imagen que me rodea...hasta entonces Portugal seguirá siendo ese lugar entre sueños, fados y poesías ajenas que espero un día hacerlas propias mientras camino en el parque Eduardo VII o el Parque das Nações o mientras espero, afuera del estadio, entrar para celebrar un gol del Benfica...

quarta-feira, agosto 11, 2010

Reflexão Coração



Não existe a circularidade flamejante que por vezes buscamos, como se fosse possível cumprir a mesma promessa uma segunda vez. O eterno retorno é apenas o mito. Os círculos não se fecham, não se selam com lacre.

Não acredito no Fim. O Fim é a utopia que, ora temos como presença certa, ora fazemos de conta que não existe. E Como se faz de conta de uma coisa que realmente não existe? Tentando fintar o insconsciente, que por vezes nos guia por bonitas encruzilhadas. E, se, a memória nas mais diversas formas, perpetua indefinidamente uma experiência vivida, é essa mesma experiência que serve de paradigma para aferir a ausência de um tutto finito. A experiência é o ad eternum da Vida.

Deito-me sob uma torre de pedra antiga e no peito carrego alguns registos "memográficos" dos momentos que passei e passámos há momentos, não os mesmos que passei e passámos há muitos dias atrás naquele mesmo espaço, transformado agora pelo tempo e pela emoção do regresso, com outra matiz.


quarta-feira, maio 12, 2010

Fruta Madura


O som é distinto. Destroyer rasga o éter por entre notas dissonantes e batidas distantes.
Ao fundo sopram os ventos numa antiga sala monasterial, enquanto ecoam as guitarras, ora suaves, ora aguerridas, mas sempre imberbes dos Ozma, como se L.A. estivesse aqui ao lado pejada de biquinis audazes enquanto caminho incógnito numa multidão de neons coloridos e promessas vazias. Assim como diz a canção, "Baseball" de seu nome.
Calam-se os ventos, nascem os vibrafones. Será Califórnia? Será o Noobai pelo sol quente, nas barbas do Adamastor? O contágio resulta e os Ruby Suns são os Animal Collective do Mediterrâneo. Também sabem a mar, com aura cosmopolita na reverberação psicadélica, no ritmo descompassado e sedutor. Olé Rinka.





Durante a adolescência tendemos a desvalorizar o que gravita em redor do nosso epicentro. Temos a sensação de que tudo se eterniza, ainda que a pilosidade facial não dê tréguas e as hormonas se movimentem a uma velocidade estonteante.
Quando passamos à fase adulta e o eterno se evapora, prometem-nos a impossibilidade de voltarmos a ser quem já não somos. Dizem-me "Shady Lane" e "Wish I Could". O júbilo fica lá atrás.
Entretanto o percurso segue por outro caminho enquanto os ventos voltam a soprar ao longe... como antes, como sempre... para sempre.